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  • Orientação ao paciente com Doença Venosa

    Por fistem | 27 de janeiro de 2016

    O que varizes de membros inferiores?
    São veias do sistema nervoso superfiial dilatadas tortuosas e palpáveis, situadas na camada gordurosa que fica sob a pele (subcutâneo). Por vezes essas varizes podem tornar-se muito volumosas ocasionando sérias complicações.
    A porcentagem de pessoas portadoras de varizes é muito elevada?
    Sim, e varia entre os países. No Brasil ocorre em 35% das pessoas acima de 45 anos, sendo mais freqüentes em mulheres. O número aumenta com a idade. Entre os 30 e 40 anos, atinge 3% dos homens e 20% das mulheres. Aos 70 anos, 70% dos indivíduos apresentam algum tipo de varizes.
    Porque são mais comuns as varizes nos membros inferiores?
    Porque o sangue venoso segue do pé em direção ao coração e, daí, para os pulmões para ser oxigenado, e retornar aos tecidos para nutri-los. Nos membros inferiores circula contra a ação da gravidade e contra a pressão do abdômen, exigindo condições para evitar o refluxo sangüíneo, isto é, que o sangue que já subiu não desça novamente.
    Existem condições que favorecem o aparecimento de varizes?
    Sim e são denominadas fatores de risco. As condições que favorecem o aparecimento das varizes são:

    • Predisposição genética (hereditária, que faz com que o indivíduo já nasça com tendência)
    • Gestação (o risco é tão maior quanto maior o número de gestações)
    • Permanência por longas horas em pé ou sentado
    • Falta de exercícios físicos o uso de anticoncepcionais
    • Constipação intestinal
    • Tabagismo
    • Trombose venosa (entupimento de veias profundas)

    O que sente o paciente?
    As principais queixas são:

    • Edema (inchação) no tornozelo
    • Sensação de perna cansada e pesada.

    Todas essas queixas se acentuam no final do dia, sobretudo quando se permanece longas horas em pé ou sentado, no calor, nas mulheres na época menstrual ou durante a gestação.

    Como se tratam as varizes?
    As varizes calibrosas são de tratamento cirúrgico. As teleangiectasias (microvarizes, vasinhos) são tratadas pela escleroterapia (secar vasos). Há casos, porém, em que se procede apenas o tratamento clínico. É recomendável a utilização, com prescrição médica, de meia-calça elástica, como profilaxia de varizes primárias em gestantes, para pacientes que não querem ser operadas, ou que desejam adiar a cirurgia. Alguns medicamentos também aliviam os sintomas.
    Como se faz o planejamento cirúrgico?
    Para realizar corretamente uma operação de varizes, o cirurgião deve, antes da operação, marcar na perna do paciente, com tinta adequada, nos pontos onde vai fazer os cortes e o trajeto das varizes que vai retirar – é o mapeamento dessas varizes -, necessário à boa execução de seu trabalho.
    Em que consiste a operação?
    Na retirada das veias varicosas através de pequeníssimas incisões (cortes) com a ajuda de agulha de “crochê”. Na virilha, no joelho ou onde houver uma veia muito calibrosa, o corte é maior e há necessidade de pontos para fecha-lo. Mesmo assim, a cicatriz, na grande maioria dos casos, é imperceptível.
    As veias retiradas não vão fazer falta? Quais os riscos da operação?
    As veias que são retiradas por estarem doentes, não colaboram na circulação, ao contrário, sua retirada causa melhoria nas condições circulatórias da perna, aliviando os sintomas, melhorando a estética e prevenindo as complicações da evolução do processo varicoso. Risco existe em qualquer ato operatório, mas é praticamente zero, sobretudo hoje com as modernas técnicas e cuidadoso exame pré-operatório. Examina-se o paciente, não apenas suas pernas.
    O que são teleangectasias?
    Vasinhos muito superficiais, vermelhos ou azulados, muito finos e que podem chegar a um milímetro, geralmente ramificações que se assemelham a teias de aranha ou a raízes de plantas. São também conhecidas como microvarizes.
    Como são tratadas?
    O tratamento das teleangectasias é feito pela escleroterapia. Existem vários agentes esclerosantes, os agentes osmóticos, entre eles a glicose hipertônica, os agentes detergentes, como o oleato de etanolamina, o polidocanol, e os agentes irritantes químicos, como a glicerina crômica.
    Como se faz a escleroterapia?
    Usando-se agulhas descartáveis, seringas descartáveis, ou de vidro desde que esterilizadas corretamente. O número de picadas não indica melhor qualidade de tratamento, o importante é a quantidade de esclerosante injetado por sessão.

     

    Quais as intercorrências que podem surgir no curso de um tratamento com esclerosantes?
    Quem se submete a um tratamento desse tipo visa principalmente o lado estético. Não obstante, por mais prudente que o especialista médico seja, podem ocorrer: o manchas hipercrônicas, bolhas ou flictenas. o necroses cutâneas (feridas) que deixam marcas e são de demorada cicatrização. Felizmente são eventualidades raríssimas.
    Há outros tipos de tratamento?
    As teleangectasias, principalmente as localizadas no nariz e outros locais da face, bem como nos membros inferiores, podem ser tratadas com sucesso por meio de eletrofulguração. Podem também ser tratadas por fototermólise, que a destruição das mesmas pela energia luminosa, com aparelhos a laser ou o Photoderm, acoplado ou não ao Vasculight, mais recentemente o Diolite.

    Esses outros tipos de tratamento não substituem a escleroterapia química. Também não estão isentos de intercorrências.

    O que é Trombose?
    Geralmente o sangue se coagula quando sai do vaso, por ferimento do mesmo e escoamento do sangue para o exterior. Quando a coagulação acontece dentro do vaso, provoca uma “rolha de coágulos” que endurece e forma o trombo. A essa formação do trombo chama-se Trombose. Ocorrem tromboses nas artérias e até nos vasos linfáticos, mas aqui vamos falar na que ocorre nas veias, a TROMBOSE VENOSA, sobretudo nas das veias pernas, onde ela é mais freqüente.
    Que tipos de Trombose existem nas veias das pernas?
    As superficiais, que habitualmente acometem as veias varicosas – varicotrombose ou varicoflebites – têm boa resolução seja clínica, seja cirúrgica. A Trombose venosa profunda (TVP) atinge veias que estão no compartimento muscular e é doença grave.
    Quais são os riscos da Trombose?
    Deslocar-se todo o trombo ou sua parte superior e seguir o curso do sangue para o coração e para o pulmão. Isso chama-se Embolia Pulmonar (EP) e pode ser fatal. Outro risco é a progressão do trombo nas veias profundas, fixando-se nas paredes, lesando-as, bem como as válvulas.

    O segmento afetado transformado em tubo rígido não impulsiona bem o sangue, as válvulas não funcionam e há estase (parada) venosa devido ao refluxo chamado de síndrome pós-trombótica.

    Porque ocorre TVP?
    Devido a vários fatores chamados de risco – há os genéticos e os adquiridos. Esses fatores agem pela estase, pela lesão da perede da veia e por fatores do próprio sangue. Observa-se com mais freqüência TVP nos pacientes acamados por longo tempo, nas mulheres que tomam pílula anticoncepcional ou fazem uso de hormônios para menopausa, nos velhos, nos operados, nos varicosos e naqueles que já tiveram TVP.

     

    Como evitar a TVP?
    • levantar e andar precocemente após operações,
    • movimentação passiva e ativa das pernas, nos acamados, o compressão pneumática com uso de aparelhos, no pós -operatório,
    • o uso de meias adequadas no pré e pós operatório.,
    • o uso de uma droga chamada heparina.
    Como se faz o diagnóstico?
    O diagnóstico de TVP ainda é difícil em certos casos e alguns exames são necessários para firmá-lo – o Duplex scan venoso colorido, que não é invasivo, isso é, não agride a veia, bem como a Pletismografia diagnosticam grande numero de casos. Melhor que o Duplex é a Ressonância Nuclear Magnética. Mas em algumas situações é a Flebografia que faz o diagnóstico (invasivo e com contraste).
    Como se trata a TVP?
    Usando heparina, mas em doses diferentes conforme o caso e o paciente, de modo contínuo, gota a gota na veia e com controle laboratorial que permite ajustar a dose ideal para cada doente. A heparina, no entanto, não é o único anticoagulante disponível. Há os anticoagulantes orais que dão continuidade ao tratamento.
    Há outros tratamentos para a TPV?
    Sim, o uso de medicamentos fibrinolíticos, isso é, que destroem o trombo. São porém, pouco usados pelo seu alto custo e devido a reações alérgicas que podem provocar. Há também o tratamento operatório, que promove a retirada do trombo. É usado em casos especiais, como aqueles de TVP com risco de gangrena. Após esse tratamento o uso de heparina se impõe.

    Há, ainda, o tratamento endovascular, com colocação de filtros na maior veia e mais próxima do coração que é a cava inferior. Esses filtros deixam escoar o sangue, mas impedem a passagem de trombos para o pulmão.

    Que são úlceras de perna de origem venosa?
    Popularmente conhecidas como úlceras varicosas, decorrem de um transtorno na circulação de retorno nas pernas, pois toda circulação sanguínea de retorno ao coração é feita pelas veias.
    Como se faz a circulação normalmente nessas veias da perna?
    Há veias na camada superficial, em meio ao tecido subcutâneo e há veias profundas, no meio da camada muscular. A circulação é feita 90% pelas veias profundas que recebem as superficiais e o sangue corre de baixo para cima, do pé ate o coração.

     

    Quais as dificuldades para o retorno do sangue?
    Subindo pelas veias para o coração o sangue segue contra a ação da gravidade e contra a pressão positiva do abdome. Há fatos que aumentam essas dificuldades, além dos hábitos prejudiciais que diminuem o efeito”bomba” muscular na panturrilha (barriga da perna); tais como presença de válvulas defeituosas desde o nascimento (congênitas), o que é raro, ou adquiridas (lesadas pela TVP); válvulas que se tornam incompetentes com o aparecimento de varizes; aumento da pressão abdominal nos obesos e gestantes.

    Nas gestações, além da compressão das grandes veias do abdome, há ação hormonal.

    Como acontecem as úlceras venosas?
    Há uma seqüência de eventos: Edema (inchaço), rompimento de capilares (os menores vasos sanguíneos) e o sangue com seus pigmentos mancha a pele. A pele reage com fenômenos alérgicos – eczema – que dá coceira. Veias mais superficiais nessa pele, já por si inflamada, podem se romper.

    A rotura de uma dessas veias, o ferimento provocado pela coçadura nos casos de eczemas, ou pequenos traumatismos (pancadas) produzem feridas que vão se alargando – são as úlceras. Em condições normais tais ferimentos cicatrizam rapidamente. Na perna varicosa não ocorre o mesmo.

    Que tratamentos existem para fazer cicatrizar uma úlcera venosa? Qual o melhor curativo?
    Se o paciente ficar em repouso absoluto com as pernas elevadas elas podem curar-se sozinhas. Uma das principais medidas é a manutenção da ferida limpa. A limpeza da úlcera se faz com jato de soro fisiológico, associado ao bicarbonato de sódio, para diminuir a sensação de ardência. Vários são os tipos de curativos, mas qualquer um deles deve estar associado a compressão, com ataduras ou meias elásticas corretamente indicadas pelo médico.

    Em muitos casos de úlceras varicosas há indicação cirúrgica de tratamento das varizes. Essa indicação somente poderá ser feita por médico especialista, após estudo cuidadoso. A cirurgia só poderá ser realizada após a cicatrização da úlcera ou quando a mesma estiver totalmente isenta de material purulento.