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  • Orientação ao paciente com Doença Linfática

    Por fistem | 27 de janeiro de 2016

    O que são vasos linfáticos?
    São pequenos vasos, com diâmetro inferior a 1mm, encarregados de conduzir a linfa, líquido incolor composto de água, e outros elementos, como proteínas, gorduras e, às vezes, bactérias. Os vasos linfáticos fazem parte do sistema nervoso circulatório. As artérias distribuem o sangue que nutre as células e tecidos, nos capilares há a troca de nutrientes e o sangue que sai, pobre em oxigênio, retorna pelas veias.

    Líquidos e substâncias que as veias não retiram dos tecidos formam a linfa. Esta é levada pelos linfáticos aos gânglios e, daí, a linfáticos maiores que a devolvem à circulação na junção das veias jugular com a veia subclávica, localizada no tórax. Os Linfáticos intestinais transportam uma linfa de cor leitosa, chamada quilo, que contém mais gorduras.

    Há doenças envolvendo vasos linfáticos?
    Sim. Os linfáticos podem apresentar alterações em conseqüência a agressões físicas, químicas ou infecciosas. Estas doenças se caracterizam principalmente pela inchação, ou edema. Pode também ocorrer febre, calafrios e aumento do volume dos gânglios, conhecidos popularmente como “ínguas”, caracterizando um quadro de erisipela. Os edemas (inchaço), mais freqüentes nas pernas, às vezes nos braços, são denominados linfedemas. Existem ainda distúrbios da condução da linfa ou do quilo chamados de refluxos linfáticos ou quilosos.
    Qual doença mais freqüente dos vasos linfáticos?
    É a linfagite aguda, erisipela, habitualmente dos membros inferiores. Arranhões, frieiras, calos, rachaduras no calcanhar são “as portas de entrada” para os germes causarem uma infecção caracterizada por febre elevada (39º C), náuseas, vômitos, mal estar em geral, inchação, dor e vermelhidão na parte atingida. Os pacientes cuja safena foi retirada para a cirurgia no coração (revascularização do miocárdio) também estão mais sujeitos a linfagites agudas.
    Linfangite aguda e erisipela são sinônimos?
    Linfangite designa inflamação dos vasos linfáticos, sem qualquer preocupação com a causa. A erisipela é uma linfangite determinada por um tipo específico de bactéria, o estreptococo. No momento do diagnóstico é difícil especificar o agente agressor, sendo melhor chamar de linfangite o processo inflamatório dos vasos linfáticos.
    Pode haver complicações no tratamento das linfangites?
    Habitualmente o tratamento é realizado em casa. Entretanto, pode estar indicada a internação hospitalar, pela intensidade do quadro clínico ou quando se observa a presença de vesículas, bolhas ou pequenas lesões na pele capazes de evoluir para danos teciduais graves. A forma mais grave é a linfangite necrótica, em cujo tratamento é fundamental a assistência do cirurgião vascular.
    Quais os cuidados a serem tomados depois de uma linfangite aguda?
    Sem exame específico não se sabe a real situação dos vasos linfáticos do paciente. Às vezes, um único episódio de linfangite pode determinar uma seqüela, o linfedema. Além disso, cada novo surto favorece a instalação do linfedema pós-infeccioso. È importante que o paciente que teve linfangite ou seja portador de linfedema evite a ocorrência de novos surtos.

    Manter a higiene rigorosa dos pés e mãos, evitar traumatismos e cortes, evitar a ocorrência de edema, manter os pés da cama elevados e evitar a permanência prolongada em pé, são cuidados importantes para a prevenção da doença.

     

     

    É preciso usar meia elástica após um quadro de linfangite de membro inferior?
    Após a fase aguda da doença esta contenção é recomendável. Na forma necrótica é imprescindível, pois mais freqüentemente ocorre linfedema como seqüela.
    As linfangites podem ser evitadas?
    Sim, na maioria dos casos, pois a penetração dos microorganismos geralmente ocorre através de ferimentos, calos, frieiras ou fissuras nos pés. Manter os pés secos, limpos, livres de micoses e bem cuidados são medidas essenciais para se evitar infecções.
    O que é linfedema?
    Trata-se de edema – acúmulo localizado de líquido – de origem linfática determinado por deficiência na absorção ou condução da linfa. Os linfedemas podem se primários – sem causa definida – ou secundários a inflamações, traumas, irradiações e cirurgias sobre gânglios linfáticos, sendo que o linfedema pós-mastectomia (L.P.M.) isso é o linfedema que pode ocorrer no braço após a retirada da mama para tratamento de um câncer da mesma, é um dos linfedemas mais comuns.

    No norte e nordeste do Brasil pode ser devido a filariose causada por um pequeno verme, a filaria. Os linfedemas instalam-se habitualmente nos membros inferiores ou superiores, mais raramente no pênis e escroto.

    Quais os principais cuidados com o linfedema?
    É fundamental evitar infecções e traumas (por exemplo aplicação de injeções) no membro atingido. A compressão elástica é indispensável (meia elástica ou braçadeira). É importante evitar a permanência em pé ou sentado com o membro imobilizado. Exercícios devem ser feitos sob a orientação médica. São importantes os cuidados higiênicos com a pele.
    Traz benefício a realização de massagens?
    Sim, mas sob orientação médica e realizada por profissional competente. Desobedecer éster critérios pode agravar o linfedema. O nome correto do tratamento clínico do linfedema é terapia física completa (T.F.C.) onde a drenagem linfática manual (massagem) tem sua indicação.
    Há cura para o linfedema?
    O linfedema ocorre quando há lesão irreversível dos linfáticos. Pode-se falar em controle clínico, com redução do volume do membro atingido até praticamente o normal, quando a doença esta no início e o paciente segue o tratamento contínua e rigorosamente. Em fases mais avançadas, pode ser indicado algum tratamento cirúrgico, mais no sentido paliativo.

     

    A elefantíase é um linfedema?
    Sim. O termo aplica-se a membros inferiores com linfedema volumoso, geralmente com tecido subcutâneo substituído por fibrose, cuja aparência lembra a perna e pé de elefante. São quadros graves, muitas vezes com indicação cirúrgica como medida higiênica, para melhora da marcha e da convivência social.
    O portador de linfedema é um inválido?
    Excepcionalmente, quando a localização, extensão e volume dificultam ou impedem o trabalho. Programas de readaptação ao serviço permitem que pacientes não sejam marginalizados como inválidos.
    O linfema de membro superior pós-mastectomia tem boa evolução?
    Com um tratamento clínico bem orientado por angiologista, os linfedemas são mantidos compensados, isso é, não aumentam e podem ser bastante reduzidos. Existem aparelhos de compressão internitente de uso domiciliar, capazes de manter o membro superior em situação bastante favorável, seja para o trabalho, seja na integração social, sempre com orientação de especialista e nunca como tratamento isolado.
    O que é refluxo quiloso?
    As gorduras são absorvidas no intestino delgado por vasos linfáticos quer transportam a linfa leitosa – o quilo – através de um vaso linfático calibroso – o ducto torácico – que, por sua vê, drena na veia subsubclávia localizada no tórax. O refluxo quiloso ocorre quando há alteração no sentido do fluxo da linfa vinda do intestino, devido a alguma barreira no caminho, que pode ser uma doença congênita ou adquirida.
    Quais os refluxos quilosos mais conhecidos?
    As alterações de percurso do quilo podem facilitar seu derramamento na cavidade abdominal (quiloascite), na cavidade torácica (quilotorax), em articulação no membro inferior (quiloartrite), para as víceras como rins (quilúria), para o últero (quilometrorréia) e para o exterior através da rotura de vesículas esbraquiçadas de membro inferior (quilorragia). Todas essas situações se caracterizam pela presença do líquido leitoso. A mais comum se dá para o pênis e o escroto, levando ao aparecimento do linfedema peno escrotal (L.P.E.) que é de tratamento cirúrgico.
    Como suspeitar de um refluxo quiloso?
    Quando há eliminação de urina esbranquiçada como leite, presença de corrimento vaginal leitoso e sem resposta ao tratamento instituído, presença de pequenas e múltiplas vesículas nas pernas ou na coxa, com rotura espontânea e saída de liquido leitoso. Não é obrigatória a presença de linfedema.

     

    Refluxo quiloso tem tratamento?
    O tratamento baseia-se na identificação dos locais de refluxo para a proposta do tratamento cirúrgico definitivo, principalmente nos casos de quilúria.
    Há risco para esse tipo de cirurgia?
    É o mesmo das cirurgias de porte médio com abertura do abdome e tórax.
    Qual o tratamento clínico para refluxos quilosos?
    Os refluxos quilosos são situações raras e cada caso deve ser individualizado. A presença do cirurgião vascular é importante para a adoção do tratamento mais adequado a cada paciente.
    Qual a situação atual das doenças linfáticas dentro da Angiologia e Cirugia Vascular?
    O tratamento e os métodos profiláticos para as doenças linfáticas estão bastante defasados em relação às arteriais e venosas. Isso facilita, muitas vezes, propostas milagrosas de tratamento, geralmente dispendiosas e ineficazes. O paciente e seus familiares devem adotar uma postura crítica, inteligente, buscando um especialista qualificado para orientá-los.