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  • Conheça um pouco mais sobre o Tratamento do Linfedema e a Drenagem Linfática

    Por fistem | 22 de janeiro de 2016

    No final da década de 80, o Professor Doutor Henrique Jorge Guedes Neto, médico chefe interino do Instituto do Câncer Arnaldo Vieira de Carvalho da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, reviu os conceitos de tratamento para o Linfedema, pois, os mesmos eram cirúrgicos, com resultados pouco satisfatórios e muito invasivos.

    Na Alemanha, região da Floresta Negra , o Dr. “Földi” e, na Bélgica, o Dr. “Leduc” já vinham aplicando, com bons resultados, o tratamento clínico para o Linfedema. Método de tratamento reconhecido pela Sociedade Internacional de Linfologia, pelo nome de Terapia Física Complexa ou Terapia Descongestiva Complexa.

    O fisioterapeuta Tarso Túlio Nogueira implantou, junto a equipe vascular do Instituto do Câncer Arnaldo Vieira de Carvalho, o serviço de reabilitação em Linfedema, na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, em 1990, onde teve início um dos principais serviços de tratamento para essa doença, que era tão pouco entendida.

    A terapia física complexa (TFC) é um método de tratamento, que tem por objetivo principal, reduzir o edema causado pela insuficiência do sistema linfático ; devolvendo, assim, a funcionalidade do membro ou região do corpo comprometido. O método utiliza vários recursos fisioterápicos, dentre eles: – a compressão pneumática intermitente, que tem a função de reduzir o edema por produzir um aumento da pressão intersticial; – o RA3000, aparelho que realiza exercícios linfomiocinéticos, para estimular a circulação linfática. Após a utilização dos recursos mecânicos, a drenagem linfática manual (D.L.M), ou manobras descongestivas, é um recurso importantíssimo, que vem sendo aplicado ao longo dos últimos 30 anos, no tratamento do Linfedema, para diminuir a linfoestase.

    A realização incorreta da massagem pode acarretar lesões irreversíveis ao sistema linfático. Nos últimos tempos, a drenagem linfática manual tem sido realizada descomedidamente, pois é veiculada como “milagrosa, em poucas sessões” à redução das celulites e ao emagrecimento. Esta concepção é absolutamente inverídica e preocupa-nos o fato de a população se estar expondo a riscos; há indicações e contra-indicações específicas à realização da drenagem linfática manual, descritas nos Consensos Internacionais de Linfologia. O manejo é, assim, de competência exclusiva dos especialistas em doenças vasculares, doenças linfáticas, fisioterapeutas, fisioterapeutas ocupacionais e médicos (Tratado de Flebologia e Linfologia Thomaz & Belczac.2006. Ed. Rubio).

    A “DLM” é aplicada, eficazmente, no tratamento do linfedema ; para aumentar a circulação de retorno dos edemas pós-cirúrgicos e, ou, pós-traumáticos , como nos casos de pacientes mastectomizadas. O método empregado é conservador (não cirúrgico), promove a diminuição do edema e da fibrose , alivia a dor, previne processos inflamatórios (linfangites e erisipelas) e, sobretudo, é eficiente na profilaxia da “elefantíase”. Com tantos benefícios, essa massagem que, aparentemente, não deveria causar dano a ninguém, pode sim, redundar em conseqüências graves; o risco existe. Exemplifica a situação, a reportagem publicada pela revista Época (edição datada 25 dezembro de 2006), sobre a experiência, vivida por uma oficial de justiça, no ano de 2000; que, após receber o diagnóstico de trombose venosa profunda, apresentando, como sinal clinico, um inchaço no pé direito, passou por diversos médicos, até que alguém lhe indicou sessões de drenagem linfática. Felizmente, ela não teve complicações demasiado graves; na fase aguda, a “DLM” é absolutamente contra-indicada. Sua prescrição é ato médico, decorrente da avaliação do membro afetado no paciente e dos exames específicos e, necessariamente, deve respeitar as várias restrições, acaso existentes, dentre as quais se destacam: – a hipertensão arterial descompensada; – as cardiopatias; – as infecções agudas locais, como erisipela, linfangites, abcessos subcutâneos, osteomielites etc.